Sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Os conselhos de Richard Feynman para uma aprendizagem eficiente


O físico norte-americano Richard Feynman, ganhador do Prênio Nobel de Física de 1965, visitou nosso pais em cinco ocasiões. Nessas visitas ele trabalhou no CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas), lecionou na UFRJ para alunos de Física e Engenharia e se divertiu, desfilando nas Escolas de Samba, durante o carnaval carioca.

No encerramento de sua visita de 1952, Feynman foi convidado pela SBPC (Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência), a proferir uma palestra para dar a conhecer as suas impressões sobre o estado do ensino de Física no Brasil. Esta palestra teve grande repercussão no meio universitário brasileiro.

Para se ter uma ideia consistente sobre esses eventos será útil ler o artigo do professor e biólogo Osvaldo Frota-Pessoa, publicado no Jornal do Brasil, dias após a palestra. Esse artigo foi transcrito pelo professor Ildeu de Castro Moreira em um artigo para a revista Física na Escola, publicada pela Sociedade Brasileira de Física. Veja aqui o artigo.

Alguns anos depois, no seu livro O senhor está brincando, Sr. Feynman!, ele relembra a sua experiência em sala de aula no Brasil. clique aqui para ler o capítulo referente ao assunto.

De 1952 para os dias de hoje muita coisa mudou no ensino de Física no Brasil, mas não o suficiente para concretizar as ideias de Feynman. Se o nosso pensamento se volta para o ensino Básico, a situação é certamente mais precária.

Feynman, reconhecido por seus alunos como um excelente professor, alegava empregar uma tática simples para entender qualquer tema, especialmente os conceitos científicos.

A técnica consiste em seguir os quatros conselhos abaixo. Antes de iniciar o estudo, porém, adquira um caderno e faça anotações do que estudar. Vale tudo: texto, esquemas, desenhos, etc.

Primeiro conselho: escolha um conceito e se concentre nele.

Escolha um conceito e se concentre nele. Não divague por outros assuntos. Anote cuidadosamente no seu caderno tudo o que sabe sobre o conceito que escolheu. O mais importante nesse ponto é desenvolver o raciocínio.

Segundo conselho: escreva como se estivesse ensinando a uma criança.

Escreva como se estivesse ensinando a uma criança. Em outras palavras, você precisa fazê-lo da maneira mais simples possível. Ainda que isto lhe pareça absurdo e desnecessário.

Portanto, assegure-se de que, do início ao fim, está usando uma linguagem simples. Além disso, evite jargões e expressões prontas. Eles escondem a nossa ignorância. Explique tudo nos mínimos detalhes e não caia na tentação de omitir algo que, do seu ponto de vista, está subentendido por ser evidente.

Terceiro conselho: Faça uma pesquisa e junte mais ijnformações sobre o conceito que escolheu.

No passo anterior, provavelmente você encontrou lacunas no seu conhecimento. Coisas que você esqueceu ou que não conseguiu explicar suficientemente bem.

Esse é o momento em que você começa realmente a aprender. Volte à fonte de informações sobre seu tema de estudo e pesquise sobre o que ainda falta entender. E, quando você achar que cada subtema está claro, tente escrever no papel a explicação para ele de uma maneira que até uma criança entenderia.

Quando você se sentir satisfeito e estiver compreendendo tudo o que antes estava confuso, volte à redação original e continue escrevendo as explicações nela.

Quarto conselho: Revise e simplifique ainda mais.

Depois de passar por todas essas etapas, revise o que escreveu e simplifique ainda mais. Certifique-se novamente de que não usou nenhum jargão associado com o assunto que está lhe intrigando.

Leia tudo em voz alta. Preste atenção para perceber se está tudo exposto da maneira mais clara possível. Se a explicação não for simples ou se soar confusa, interprete isso como um sinal de que você não está entendendo algo.

Crie analogias para explicar o conceito, porque isso ajuda a esclarecer tudo na sua cabeça e é a prova de que você está realmente dominando aquele tema.

Essa técnica está mais bem explicada no vídeo abaixo.



Fica claro, pelos seus conselhos, que Feynman advoga por uma aprendizagem ativa, ou seja, para ele não há aprendizagem pela simples absorção passiva de conceitos expostos numa aula.

Leia também a postagem:

As contribuições do físico Richard Feynman para o ensino de Física



Se o colega professor se interessar por mais informações sobre os pontos de vista de Richard Feynman sobre o ensino da Física, recomendamos a série de cinco vídeos do professor Lício, físico formado pela Unicersidade de São Carlos, do canal Caio na Aula, no Youtube.

Desta série destacamos o vídeo sobre as atividades de Feynman no Brasil. Clique aqui se desejar assistir ao vídeo.






O canal Integrando Conhecimento, do YouTube, tem como objetivo promover a divulgação científica no Brasil.

Além do vídeo acima, você pode assistir a muitos outros vídeos sobre assuntos científicos presentes na mídia acessando o canal. Para isto clique aqui.


O canal Caio na Aula, do YouTube, pode ser acessado aqui.

O capítulo do livro de Richard Feynman, está disponível na internet no site da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Acesse clicando aqui.

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