Domingo, 3 de setembro de 2017

Padre Georges Lemaître, o criador da teoria do Big Bang


No início do ano letivo de 1911, a Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, recebeu entre seus estudantes um jovem de 17 anos, chamado Georges Lemaître, interessado em iniciar os preparativos para uma carreira profissional em engenharia civil.

Em 1914, no entanto, a Bélgica entra em guerra contra a Alemanha. Começava a Primeira Guerra Mundial. Lemaître interrompe seus estudos para se alistar no exército. Somente após o encerramento das hostilidades ele retorna para a universidade, agora com especial interesse por Filosofia e Teologia. Além da antiga paixão por Física e Matemática.

Em 1920, Lemaître obtém seu doutorado com uma tese sobre funções de várias variáveis e, logo em seguida, é ordenado padre diocesano da Igreja Católica Belga. Nesse mesmo ano é enviado, por seu Bispo, ao St. Edmund's College, da Universidade de Cambridge, para estudos de pós-graduação em astronomia.

Ao retornar para a Bélgica, padre Lemaître publica um artigo no qual propõe a ideia, baseada na teoria da relatividade de Albert Einstein, da evolução do universo a partir de um estado inicial de alta energia, chamado por ele de átomo primordial.

Lemaître foi o primeiro a levar as equações de Einstein à sua conclusão lógica: Se o universo que conhecemos é grande e está em expansão então, em algum momento do passado, ele deve ter sido muito pequeno.

A partir desse estado de pequeno tamanho e alta densidade de energia o universo sofre uma expansão, cujas características foram sintetizadas mais tarde na chamada Lei de Hubble. Veja a imagem acima

O astrônomo Fred Hoyle, numa tentativa de ridicularizar a ideia, dá a ela o nome de "grande estouro" (Big Bang). O nome fez sucesso e a proposta ficou conhecida como Teoria do Bing Bang.

Nesta altura, duas grandes teorias cosmológicas entram em competição. A teoria do universo em expansão, do padre Lemaître, e a teoria do universo estacionário, defendida por Fred Hoyle. O próprio Einstein, percebeu que a expansão do universo deriva de uma das soluções da sua própria teoria. No entanto, ele a rejeitou e se colocou no lado da proposta de um universo estacionário.

A teoria do Universo Estacionário, propõe um universo eterno e infinito em tamanho. A teoria do Big Bang propõe um universo finito no tempo e no espaço, que evolui a partir de um estado inicial chamado de Singularidade.

Em 1929, o astrônomo americano Edwin Hubble, descobre que as galáxias se afastam uma das outras a grande velocidade. Isto é entendido como uma evidência da expansão do universo. A partir daí, o físico russo George Gamow desenvolve a teoria do Bing Bang como a conhecemos hoje a partir da ideia de Lemaître.

Gamow, em seus estudos, propõe que a "explosão cósmica" inicial, se realmente existiu, deve ter deixado uma pista que é possível medir ainda hoje. Essa "pista" aparece como uma onda eletromagnética, na faixa de frequência das microondas, vinda de todas as direções do espaço, chamada por ele de Radiação Cósmica de Fundo.

Essa radiação foi medida pela primeira vez em 1965 por dois físicos americanos: Arno Penzias e Robert Wilson.

A Agência Espacial Européia (ESA) disponibilizou o vídeo a sequir onde conta essa história e presta uma homenagem ao padre Lemaître, dando o seu nome à sua mais nova nave de transporte para a Estação Espacial Internacional.









O site do St Edmund's College, da Universidade de Cambridge, publicou uma pequena biografia de Lemaître e criou um prêmio em sua homenagem. Padre Lemaître foi aluno desta universidade na década de 1920, onde realizou estudos de pós-graduação com o grande astrônomo Arthur Eddington. Veja aqui.

Leia também o artigo sobre Lemaître escrito por Márcio Antonio Campos e publicado na Gazeta do Povo de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Se o colega professor desejar mais informações sobre a teoria do Bing Bang e sobre Cosmologia em geral consulte o site do professor Kepler Oliveira, do Instituto de Física da UFRGS. Veja aqui.







Padre Lemaître fez estudos de pós-graduação, a partir de 1920, na Universidade de Cambridge (St Edmund's College), Inglaterra.

Em seguida foi para os Estados Unidos, onde trabalhou no Observatório da Universidade de Havard e foi professor no Massachusetts Institute of Technology - MIT.


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