Domingo, 28 de janeiro de 2017.

A formação dos sistemas solares.

Até as últimas décadas do século passado, a teoria sobre a formação do nosso sistema solar estava razoavelmente estabelecida.

No entanto, as descobertas dos últimos anos, realizadas principalmente através da utilização de satélites estacionados no espaço, têm provocado uma verdadeira revolução no conhecimento humano sobre o processo de nascimento dos planetas.

Por outro lado, nosso conhecimento sobre o nascimento das estrelas é bem mais completo. Pelo que sabemos elas se formam como resultado das pertubações das nuvens de poeira e gás existentes na galáxia, conhecidas como Nebulosas.

Como resultado dessas pertubações e da ação da gravitação sobre os grãos de poeira e sobre o gás, são formados locais de concentração de matéria no interior dessas nuvens, o que acaba, ao final de um longo processo, por iniciar as reações nucleares que levam ao nascimento de uma protoestrela.

As estrelas, então, nascem dentro desses casulos de poeira e gás, de 10 trilhões de quilômetros de extensão em média, que o astrônomos chamam de Globulos gasosos em evaporação, ou EGG, na sigla em inglês.

Se você deseja mais informações sobre esse processo pode consultar o site do Instituto de Física da UFRGS aqui.

Em torno da protoestrela brilhante se forma um anel de gás e poeira que leva o nome de disco protoplanetário. Veja a ilustração a seguir.

Desse ponto de vista podemos considerar os planetas como um subproduto do processo de formação estelar. Os planetas nascem da aglutinação, pela ação gravitacional, dos grãos de poeira e do gás do disco protoplanetário em rotação. Os gãos de poeira dentro do disco em rotação colidem e se unem em objetos de tamanho da ordem de quilômetros chamados planetesimais.

Esses objetos, por possuirem massa maior, continuam o processo atraindo mais massa e formando, por fim, embriões de planetas do tamanho da nossa Lua.

A pressão da radiação solar empurra o material do disco para longe da estrela nascente. A poeira, por ser mais pesada permanece na parte mais interior e o gás do disco acaba por ocupar a parte exterior.

Esta é a base da teoria clássica de formação planetária que justifica o fato de que, no nosso sistema solar, existe dois grupos de planetas: os planetas rochosos e os planetas gasosos. Os planetas rochosos se situam mais próximos do sol e os planetas gigantes gasosos orbitam na parte exterior do sistema.

A Agência Espacial Européia (ESO) produziu o vídeo abaixo que mostra uma simulação desse processo de formação. Ele exibe o disco protoplanetário e o processo de crescimento dos grãos de poeira dentro desse disco.



As descobertas recentes de sistemas extrasolares feitas, na sua maioria, pelo satelite Kepler têm revelado aspectos supreendentes dos sistemas solares. Um número grande deles são sistemas binários, com dois sóis, e trinários, com três estrelas.

Por outro lado, talvez por culpa dos nossos sistemas de detecção, a maioria dos novos planetas descobertos nesses sistemas são gigantes gasosos. Os planetas rochosos, até agora, são raros. No entanto, uma desoberta feita em Atacama, no Chile, muda esse panorama.

Na constelação de Ofiúcos (ou Ophiuchus) existe um bercário de estrelas, uma nebulosa conhecida como Rho Ophiuchi. Uma das muitas estrelas em processo de formação nesta nebulosa é uma anã marrom com o nome de catálogo ISO-Oph 102.

Pois bem, uma equipe de astrônomos, usando os telescópios do Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), no Chile, detectaram, pela primeira vez, grãos de poeira, de tamanho milimétrico, na parte exterior de um disco protoplanetário de uma estrela. Essa descoberta, no disco da ISO-Oph 102, fortalece a teoria sobre formação de planetas e sugere que os planetas rochosos podem ser mais comuns do que inicialmente se pensava.



Esta postagem é uma sugestão, e um pedido, aos colegas professores que incluam nas suas aulas as informações mais recentes sobre os sistemas solares. A cobertura do tópico sobre Gravitação que, na maioria das vezes, se restinge à lei da gravitação de Newton e a enumeração dos nomes dos planetas, se tornaria bem mais interessante com esse acréscimo.

A idéia antiga, de um sistema solar bem comportado com uma única estrela, planetas rochosos no interior e os gigantes gasosos na parte de fora tem se revelado ser a exceção e não a regra.






Para mais informações sobre o assunto tratado nesta postagem consulte o site SciTechDaily, de informações sobre ciência.

O vídeo pode ser encontrado no canal do YouTubre Space Library.


O Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul tem um excelente material sobre astronomia. Clique aqui para conhecê-lo.




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