Domingo, 29 de dezembro de 2016.

Issac Newton: o último dos mágicos e o primeiro entre os cientistas.

A imagem popular de Issac Newton é a de um semi-deus da ciência. Entre nossos alunos do Ensino Médio essa imagem predomina, pois é reforçada pelo ensino da maioria de nossos colegas professores.

Uma imagem desse tipo, alegam alguns, é útil para estabelecer (e defender) a importância da ciência e a primazia da razão humana sobre as trevas do pensamento não racional. A construção inicial dessa imagem mítica de Newton se deve, em grande parte, ao trabalho do escritor e filósofo francês François Marie Arouet, mais conhecido como Voltaire.

Voltaire, um dos principais pensadores do Iluminismo europeu, foi um defensor das liberdades civis, isto é, da liberdade de expressão, de associação e da liberdade religiosa. Ele foi também o principal divulgador do trabalho de Newton na França e em toda Europa continental. No entanto, com o passar do tempo, Newton foi transformado num símbolo, tanto para os filósofos iluministas, na sua luta contra a velha ordem monárquica; como para os ingleses, na defesa do herói nacional que ele se tornara.

De um herói nacional deve-se ressaltar apenas o lado luminoso; do pai fundador da Física deve-se conservar somente os trabalhos que são modelos do puro "pensamento racional". Criou-se assim a imagem mítica de Newton que conhecemos hoje. Isto, no entanto, é apenas uma simplificação que a muito tempo deixou de ser útil e, nos dias de hoje, tornou-se prejudicial à ciência principalmente nas atividades de ensino de divulgação.

Uma reviravolta nesse estado de coisas ocorreu em 1936, quando o economista John Maynard Keynes, comprou em um leilão um lote de manuscritos de Newton sobre Alquimia. Esses papéis, que permaneceram ocultos por séculos, jogaram luz sobre o grande interesse de Newton pela magia e outros assuntos exotéricos. Esses documentos revelam que Newton dedicou grande parte do seu tempo de estudo a esses assuntos e não a Física e a matemática. Em 1946, Keynes publica as suas impressões sobre os manuscritos no ensaio "Newton, the man". Nele Newton é chamado de o último dos mágicos, o último dos sumérios e babilônicos.

Entretanto, o grande escândalo esperado pelos detratores da ciência e temido pelos seus mais zelosos defensores não ocorreu. Esses manuscritos não diminuem em nada a importância do trabalho de Newton. Ao contrário, eles contém informações preciosas sobre a evolução do seu pensamento científico. A ciência é uma construção humana, resultado do trabalho de homens e mulheres e não necessita de "heróis" desse tipo.

Sobre a importância do trabalho de Keynes a respeito dos escritos alquímicos de Newton o colega professor encontrará informações úteis lendo o artigo do professor Reginaldo Carmello de Moraes, da UNICAMP, que pode ser encontrado aqui. Se desejar uma cópia em pdf clique aqui



Por outro lado, a Universidade de Cambridge, Inglaterra, disponibiliza na internet as versões digitalizadas dos manuscritos científicos de Newton, acesse aqui. Entre eles estão os trabalhos sobre o cálculo e sobre ótica.

Dessa última, mostramos uma ilustração de um experimento com prisma e lente. O raio luminoso "S" proveniente da luz solar atravessa um pequeno buraco "F" na janela e atinge o prisma ABC e a lente MN. Um esquema muito semelhante aos que usamos em nossas aulas sobre ótica.

Nesse site damos especial destaque para a cópia do Principia Mathematica (acesse aqui), onde se pode ver as anotações e correções feitas por Newton.



Informar aos alunos aspectos da bibliografia dos responsáveis pelas teorias que ensinamos nas aulas é sempre muito enriquecedor, pois ajuda a situar a teoria no seu contexto histórico, atitude que certamente facilita o aprendizado. Do mesmo modo, são importantes as informações sobre as fontes primárias.

Sobre isto, se o colega professor desejar mais informações, recomendo o vídeo da The Royal Society sobre o manuscrito do Principia Mathematica guardado nos seus arquivos. Veja aqui. Um detalhe pitoresco: pelo vídeo, além de conhecer o manuscrito, somos informados de que a sua publicação foi ameaçada pela falta de dinheiro da Instituição. Dinheiro gasto na publicação de um dispendioso livro ilustrado sobre peixes.






A Cambridge Digital Library disponibiliza os manuscritos pessoais de vários outros cientistas. Você pode ter acesso a eles fazendo sua busca aqui.

As informações originais deste post estão no site sobre cultura e educação Open Culture de Dan Colman.


A Royal Society possui uma ampla coleção de documentos e vídeos que podem ser acessados pela internet. Veja aqui.







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